Este software está ajudando a reduzir filas e o estresse nos aeroportos

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17/11/2016 às 18h35

O Beontra analisa um monte de dados para prever problemas, permitindo que a administração do aeroporto se prepare para evitá-los ou resolvê-los.

Qual o seu maior medo ao viajar de avião? Muita gente teme que a aeronave caia. Outras pessoas, principalmente aquelas que viajam com alguma frequência, provavelmente têm mais medo de outra coisa: embarcar horas depois do previsto ou simplesmente perder o voo.

Atrasos e cancelamentos são relativamente comuns e acontecem por diversas razões, no mundo todo. As principais envolvem adversidades nos aeroportos. Muitas delas podem ser combatidas se equipes preparadas conseguirem se antecipar aos problemas. Mas como fazer isso? A tecnologia dá uma grande ajuda. Uma que está sendo bastante adotada é um software chamado Beontra Scenario Planning.

Bola de cristal high-tech

O que esse software faz, essencialmente, é analisar um grande volume de dados. A ideia é que, com base nas análises, o sistema consiga ajudar a prever cenários que podem causar atrasos, cancelamentos de voos e problemas relacionados. Desse modo, a administração do aeroporto pode adotar medidas preventivas ou, se o problema já estiver ocorrendo, saná-lo em tempo hábil.

Falando assim, parece que o Beontra é uma “bola de cristal” altamente tecnológica, não? No fundo, estamos falando de um sistema de big data, ou seja, de um software que, de fato, analisa grandes volumes de dados em curto tempo para extrair contextos relevantes daí.

Se você viaja todo ano na época do Natal, por exemplo, sabe que é uma boa ideia chegar o quanto antes ao aeroporto. O estacionamento lota, há menos táxis disponíveis (ou o Uber fica mais caro), há mais gente fazendo checkin, as filas da inspeção são bem maiores e por aí vai. Até tomar um simples café pode ser uma luta.

A razão para esse problema é óbvia: muita gente viaja nessa época. Dependendo da região, o movimento dobra, triplica. Sabendo disso, as companhias áreas e as administrações dos aeroportos normalmente reforçam, tanto quanto possível, as equipes de atendimento, manutenção, segurança, enfim.

Essas e outras medidas, se não evitam os problemas, ao menos ajudam a resolvê-los. Isso é possível porque estamos falando de um cenário previsível. Todo Natal é assim. Mas, e quando um cenário potencialmente caótico não for tão óbvio? É aí que o Beontra entra em cena.

Para fazer o seu trabalho, o software recebe dados de várias fontes, entre elas, a base operacional do aeroporto, o sistema de tráfego aéreo, os serviços de meteorologia e os relatórios de cada companhia aérea que atua ali — quando uma empresa não colabora, o sistema busca informações de base de dados online, quando confiáveis.

Com a análise e o cruzamento dessas informações, o software consegue apontar o horário em que o aeroporto terá mais desembarques, quando as filas para entrada na sala de embarque poderão ficar muito grandes, qual a possibilidade de um número expressivo de passageiros se atrasar para chegar ao aeroporto (por conta de fatores como o trânsito), quantos deles podem perder o voo por estarem em outro terminal, qual o impacto que uma mudança de portão de embarque pode ter e assim por diante.

Cada problema em potencial exige um planejamento diferente em resposta. A ideia é que haja tempo para isso. Se o Beontra predizer que o fluxo de desembarque internacional vai ser maior em determinado horário, a administração pode reforçar as equipes de imigração com funcionários de um setor menos movimentado. Na sequência, o aeroporto pode utilizar a mesma previsão para pedir que empresas de táxis ou transporte público reforcem a frota naquele momento, por exemplo.

A diferença está nos detalhes

Mas não há profissionais que trabalham especificamente para identificar e combater esses problemas? Certamente. Só que o Beontra tem a vantagem de fazer análises mais rápidas e de considerar até detalhes sutis que, no final das contas, podem fazer diferença na otimização do fluxo dentro do aeroporto.

Por padrão, o Beontra faz análises para os próximos dois dias, embora possa trabalhar com intervalos de até três meses. Em uma análise de dados que considera o mesmo período em anos anteriores, o software consegue descobrir, por exemplo, que a primeira semana de novembro costuma ter mais fluxos de passageiros indo para determinado destino.

A partir daí, a administração pode tomar uma série de decisões para evitar que esse aumento de fluxo cause filas longas: determinar o portão de embarque mais apropriado (o Beontra sabe até quanto tempo, em média, os passageiros levam para chegar em cada portão), quantos agentes de segurança escalar, etc.

Tem mais: como há inteligência artificial envolvida nessa história, o Beontra “aprende” a rotina do aeroporto, o que o deixa mais preciso com o passar do tempo.

Quando os problemas são inevitáveis

Sabe o que é mais interessante nesse tipo de sistema? É que ele não promete soluções milagrosas. O monte de tabelas e gráficos que o software exibe podem prevenir problemas, mas alguns são inevitáveis. Nessas situações, as análises ajudam a combater os problemas com mais eficiência.

Faz sentido. Mesmo o aeroporto mais bem estruturado pode ter momentos de caos, se não por incidentes locais, por fatores externos. Só para você ter ideia das “reações em cadeia” que podem ocorrer no transporte aéreo, no último dia 9, um Boeing 737-400 da AerCaribe teve um trem de pouso seriamente danificado após aterrissar no aeroporto El Dorado, em Bogotá. Vários outros aeroportos foram afetados por esse acontecimento.

Por quê? A falta de equipamentos apropriados para a remoção do avião fez a pista ficar fechada por várias horas. Como consequência, os aviões com destino à Bogotá tiveram que ser desviados, sobrecarregando os outros aeroportos da Colômbia e atrasando consideravelmente voos que seguiam dali para outros países — o El Dorado é muito usado como conexão para quem vai para a América do Norte ou a Europa.

Hoje, mais de 30 aeroportos na Europa e na Ásia utilizam o sistema, incluindo os de Zurique, Copenhague e Singapura. Recentemente, o Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, passou a usar o software na gestão do Terminal 4. “Ele nos dá uma ideia melhor das mudanças no local em tempo real”, afirma Daryl Jameson, gerente de TI do aeroporto.

Ainda segundo Jameson, outros aeroportos dos Estados Unidos já manifestaram interesse no Beontra. Juntando isso com ideias como o scanner corporal que verifica os passageiros enquanto estes andam, talvez chegará o dia em que não precisaremos mais estar com tanta antecedência no aeroporto para embarcar. Mas, até lá, é bom continuar chegando cedo.

Fonte: http://bit.ly/2fnsRx0

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